Gloriana Echeverria: O mais importante quando pondera investir é conhecer bem o país

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Gloriana Echeverria, Underwriter no World Bank, aconselha todos os que ponderem um investimento que "devem fazer um profundo trabalho de casa e compreenderem qual o contexto do país, mas também as várias opções de que dispõem para reduzir o risco implicado, sendo uma as garantias que a MIGA faculta".   
Gloriana Echeverria cedeu esta entrevista no âmbito da Conferência "Oportunidades de Negócio em São Tomé e Príncipe", promovida pela Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe e pela Miranda.


Portal da Liderança (PL): O que é o mais importante aquando da avaliação da estabilidade política, viabilidade financeira e garantia de crédito pelo Banco Mundial?

Gloriana Echeverria (GE): É preciso ter em consideração o contexto do país, da indústria em que se insere esse projeto específico e a relação entre o promotor e o Governo do país em causa. Por exemplo, na Multilateral Investment Guarantee Agency (MIGA), onde trabalho, vamos estudar a proposta que o promotor nos entregou, que é um requisito para obter um seguro de risco ou um aumento de crédito. A primeira coisa que fazemos é uma análise ao país, para garantir que conhecemos o contexto político e a história da evolução legal. Quando olhamos para a viabilidade financeira, estamos a fazê-lo face a propostas de negócio concretas, como aconteceria numa habitual análise para concessão de crédito. Vamos estar atentos ao mercado, à faturação, ao risco de operação, etc., relativamente ao país em que operam. Também estaremos atentos à indústria em que se insere o projeto, ao quão arriscado o investimento poderá ser. E finalmente relativamente ao aumento do crédito, olhamos para eventuais partes envolvidas e quão forte é o seu crédito.




PL: Quais as linhas de crédito que o Banco Mundial tem disponíveis para os países africanos de expressão portuguesa?

GE: Temos dois tipos de investimentos, a MIGA, onde basicamente fazemos seguros contra risco político, e  no caso de não serem honradas as obrigações financeiras soberanas. A segunda é uma garantia financeira e portanto relativo a países que estão com um rating como BB - e abaixo disso, nos quais poderemos atribuir essa garantia. Isto é relativo a governos que estão a pedir um empréstimo direto ou que fornecem uma garantia soberana. Nestes casos, a MIGA poderá facultar uma garantia financeira e cobrir o risco do crédito atribuído a esses governos através do “AAA” do risco de crédito da MIGA. No caso dos países cujo rating não está no BB – ou abaixo, poderemos facultar outros instrumentos, como no caso de quebra do contrato. Quando há um privado que tem um contrato com o governo, como por exemplo uma concessão ou uma parceria público-privada, caso tenha a garantia da MIGA há uma valorização do risco também para a outra parte. Não se trata de uma garantia financeira, mas fornece um certo conforto para quem concede e para quem vai explorar.




PL: Que conselhos deixa aos que hoje ponderam um investimento estrangeiro?

GE: O mais importante é conhecer o país. Uma das recomendações que fazemos é que entrem em contacto com a MIGA ou com outra organização semelhante numa fase inicial, de modo a podermos facultar-lhes a informação que temos no Banco Mundial, que é vasta sobre cada um dos países com que estamos envolvidos. Antes de considerarem o investimento, devem fazer um profundo trabalho de casa, de forma a compreenderem qual o contexto do país, mas também que olhem para várias opções de que dispõem para reduzir o risco implicado, sendo uma destas as garantias que a MIGA faculta. Há também outras formas de melhorar as suas relações com o governo do país em causa e de ter um parceiro local. Mas um dos aspetos principais a acautelar é mesmo o de terem acesso ao contexto e ao ambiente que se vive ao nível social e político no país onde pretendem entrar e conseguirem o apoio de agências como a MIGA do Banco Mundial.




PL: E aos que ponderam submeter uma proposta para investimento do Banco Mundial?

GE: Mais uma vez, o que é realmente importante é ter uma proposta muito bem pensada, de modo a que, quando se dirigir ao Banco Mundial, sintamos que é um promotor forte, conhecedor do negócio e do ambiente que lá se vive. Temos de sentir que este sabe o que lá vai fazer. As previsões, estudos de mercado e planos de negócio têm de ser fortes. Que façam bastante trabalho no perspetivar do futuro, para que o Banco Mundial considere a proposta mais seriamente do que se estivesse apenas a fazer uma tentativa de abordagem ao Banco.


 

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Gloriana Echeverria é especialista em seguros do Banco Mundial. Anteriormente foi parceira da Mesoamerica e consultora sénior da Deloitte e da EY. É formada em ciência política pela Yale University e especializada em politica pública, governação e negócio pela Harvard University Kennedy School of Government.

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