Afonso Varela: São Tomé e Príncipe, enquanto nação, tem hoje um papel a jogar enquanto facilitador
Afonso Varela, Ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares de São Tomé e Príncipe, acredita que o país pode "oferecer a um investidor a localização estratégica no centro do Golfo da Guiné num ambiente de segurança" e que aí "não se pode fazer o business as usual mas sim adaptar-se às circunstâncias".
Afonso Varela, Ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares de São Tomé e Príncipe cedeu esta entrevista exclusiva ao Portal da Liderança, no âmbito da Conferência "Oportunidades de Negócio em São Tomé e Príncipe", promovida pela Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe e pela Miranda.
Portal da Liderança (PL): Quais os principais desafios que se lhe colocam?
Alguns destaques:
Os desafios em STP estão à altura da ambição que fixamos a nós mesmos. Converter as ilhas de São Tomé e Príncipe numa nação credível, que produz riqueza e conhecimento ao lado de valores. Uma sociedade sem valores é uma sociedade em que não vale a pena viver. Temos de nos tornar credíveis aos olhos dos outros. É preciso educar a juventude para acreditar que é possível alterar o paradigma para que o país se torne numa nação próspera. Em São Tomé e Príncipe temos desafios enormes mas são desafios possíveis.
PL: Qual o potencial de investimento que São Tomé e Príncipe encerra?
Alguns destaques: São Tomé e Príncipe encerra potencial enquanto plataforma de prestação de serviços e fornecimento de bens a uma série de países próximos. São Tomé e Príncipe está inserido numa zona com 240 milhões de consumidores. Todos os países associados a São Tomé e Príncipe apresentam fragilidades ao nível da logística, da educação e dos serviços de saúde. São Tomé e Príncipe, enquanto nação democrática, segura e com posição geoestratégica, tem hoje um papel a jogar enquanto facilitador. Uma infraestrutura portuária é um investimento de vulto para o serviço da economia e dos países próximos. São Tomé e Príncipe tem uma grande vocação para a economia marítima. Presente no Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe tem condições para ser uma plataforma aérea ao serviço da região com a Europa. É preciso converter o turismo em riqueza tangível em São Tomé e Príncipe. Aderimos a um cabo submarino que torna hoje possível a produção e difusão de conteúdos. Existe hoje a oportunidade de investir em São Tomé e Príncipe em centros de educação e de serviços de saúde de excelência.
PL: Como pretendem captar e manter o investimento empresarial externo no país?
Alguns destaques:
Poderemos oferecer a um investidor a localização estratégica no centro do Golfo da Guiné num ambiente de segurança. Precisamos de melhorar o ambiente de negócio ao nível interno. Precisamos de uma administração desburocratizada e transparente, célere e facilitadora dos procedimentos e que garanta a segurança aos investidores.
PL: Quais as principais linhas de ação do governo são-tomense para os próximos anos?
Alguns destaques: A nossa prioridade é um programa de redução da pobreza em São Tomé e Príncipe. Pretendemos qualifica a mão de obra são-tomense e aumentar o número de postos de trabalho no país.
PL: Qual a situação que mais o ensinou em termos de liderança e o que aprendeu?
Alguns destaques: O meu encontro com o Dr. Patrice Trovoada mudou a minha perceção do mundo, da realidade são-tomense e de como a liderança pode mudar o destino de um país. Até há pouco tempo os são-tomenses assumiam uma pequenez que não tinham. Hoje é com orgulho que digo que somos uma nação grande. O líder Patrice Trovoada inseriu a dimensão oceânica no nosso país e alterou a forma de o ver e perceber por toda a juventude. Em São Tomé e Príncipe não se pode fazer o business as usual mas sim adaptar-se às circunstâncias.