Ainda tem medo de usar a “magia” do fazer acontecer? Reconheça os feitos e multiplique as conquistas

  
O reconhecimento é como o milagre da multiplicação descrito na Bíblia, mas em vez de pães, multiplica a motivação, o empenho, a criatividade e origina novos motivos para novo reconhecimento.

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Lembra-se da última vez em que reconheceram o seu trabalho? E a primeira? Provavelmente, lembra-se de todas, porque é algo que nos marca e como que torna “real” o que fizemos e alcançámos.

O reconhecimento tem o dom de potenciar a autoestima do reconhecido, de o energizar, mas também aos demais que estão com ele e que contribuíram para que tal fosse possível.

Zeinal Bava, ao vencer o Best Leader Awards na categoria de líder de empresa privada, em 2011, referiu que “Este reconhecimento é o reconhecimento do trabalho da equipa da PT. Eu recebo o prémio, mas recebo-o em nome da PT e de todas as pessoas que trabalham connosco. O que me motiva todos os dias é saber que conto com uma equipa que me faz acreditar que nós podemos mover montanhas”.

Zeinal Bava estava a ser reconhecido enquanto líder, mas, ao ser abordado sobre este reconhecimento, em vez de o assumir pelo seu meritório esforço, empenho, dedicação, trabalho e sacrifício, muitas vezes pessoal, multiplicou o reconhecimento e assumiu quem lhe permitiu ter ali chegado.

Embora a sua liderança seja fundamental, pois o líder é o maestro da orquestra e esta toca em função da sua regência e sensibilidade, tal como o ditado popular que diz “conforme é o toque, assim é a dança”, também, como na orquestra, nenhum gestor consegue liderar e ganhar sem ter uma boa equipa consigo.

O reconhecimento da boa prática da liderança é, só por si, um potenciador de mais e melhores líderes. Ao partilhar experiências, vitórias e fracassos, desafios e sonhos, o líder está a motivar e a mobilizar outros executivos a fazerem mais e melhor, a irem mais além, a superarem-se para chegarem até lá.

Mas o reconhecimento, enquanto força motriz, enquanto “pitada” de magia, precisa de ser usado com sensatez, mas sem timidez ou moderação, sem limitações hierárquicas ou escalas de valor.

Zeinal-Bava-11 copyZeinal Bava foi mais além do “cliché” de referir a equipa, como muitos fazem quando são reconhecidos, mas nem sempre sentem e demonstram. Ele valorizou-os, tornou-os a razão que o faz ser bom no que faz e acumular prémios atrás de prémios, levou-os a sentir orgulho no líder que têm, a sentirem-se uma parte importante e a, inconscientemente, não quererem desiludi-lo, ao dizer que “O que me motiva todos os dias é saber que conto com uma equipa que me faz acreditar que nós podemos mover montanhas”.

Quando um líder reconhece a sua equipa, está a potenciar esse conjunto de pessoas que se vão superar ainda mais e fazer ainda melhor. Já alguma vez viu alguém fugir de uma boa sensação? Evitar um momento de felicidade? De se sentir visto e, quando digo visto, refiro-me a sentir-se apreciado e parte de algo mais?

Faz parte da natureza humana. Tendemos a repetir ações que nos despertam sensações positivas e de felicidade, e ser reconhecido é uma delas.

O mesmo acontece com o inverso. Se nos superarmos, dermos o máximo, formos para além da nossa zona de conforto, alcançarmos até o que pensávamos à partida impossível e não tivermos retorno, não nos sentirmos parte do todo, não formos reconhecidos, sentir-nos-emos frustrados e desmotivados, tenderemos a deixar de nos superar, para fazer apenas o que nos compete, ou nem isso. Entramos no deixa andar que não leva nem a empresa nem o país a lado algum.

"O louvor vale pela pessoa que o dá" dizia Miguel Cervantes. Atrevo-me a acrescentar que vale também pela credibilidade e pelo momento em que é feito. Por vezes, um reconhecimento tardio e fora do enquadramento perde toda a “magia” e nada gera.

Se a capacidade de reconhecer os outros é coisa que não lhe assiste, que receia, se acha que lhe tira crédito e posição perante os seus superiores, pares e subalternos, talvez tenha chegado a ocasião para experimentar este tipo especial de “magia” e deixar-se surpreender pelos progressos que a sua equipa demonstrará e, quem sabe, tornar-se um líder inspirador e um exemplo reconhecido pela sociedade.


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Fátima Rodrigues
 é gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting, tendo sido coordenadora editorial da área de business do grupo Almedina e lecionado na Congrégation Saint-Joseph de Cluny. Esteve ligada vários anos ao Conselho da Europa, onde exerceu funções de formadora do GERFEC em relações interculturais e interreligiosas em contexto corporativo e social. É fundadora e administradora geral projeto online de fomento à leitura Segredo dos Livros.


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