E se os resultados não aparecem? Será um líder a prazo? - Camilo Lourenço

  
O debate sobre a Liderança raramente se afasta de três polos: o Carisma (o “drive”), a Visão (o “sonho”) e a Execução (os resultados associados à implementação do “sonho”).

Camilo-Lourenco-Cronicas
Quem tem alguma experiência da realidade empresarial sabe que é muito difícil reunir, numa mesma pessoa, estas três características. É muito fácil encontrar gestores com vontade de liderar. Muitos deles têm o “drive” de que falámos acima. Ou seja, querem e têm vontade de comandar uma organização. E isso nota-se com frequência nas lutas pelo Poder. Veja-se, a título de exemplo, o que se passa no Partido Socialista.

Mas isso não chega. É preciso ter uma Visão para a organização que se quer liderar. E isso passa por ter um plano a prazo: uma espécie de “roadmap” que fale dos passos a dar até atingir determinados objectivos.

Quando Jack Welch chegou à General Electric encontrou uma empresa solidamente implantada no sector industrial: fazia de quase tudo, desde frigoríficos até motores para aviões a jacto.

Welch podia limitar-se a gerir o presente. Que era um presente feito de sucessos. Mas este sabia que se a GE se concentrasse apenas naquilo que fazia bem (concentração no sector industrial), dentro de pouco tempo ficaria obsoleta. Era preciso reinventar a empresa. E foi isso que fez nos 20 anos seguintes: procurou novas áreas de negócio, mudou processos, reorganizou funções e fixou objectivos. Ao mesmo tempo deu especial atenção à formação de líderes dentro da empresa. Líderes que teriam um dia a responsabilidade de lhe suceder (oportunamente falaremos deste tema). 

A visão é fundamental para um Líder. Mas pode não ser o critério decisivo. Há casos, bem estudados pela Academia, em que a Visão é adquirida em “outsourcing”: v.g. consultores externos que dão pistas sobre para onde deve evoluir a organização.

Vamos aceitar que isto é uma solução: afinal quem está de fora pode conseguir pensar, do ponto de vista estratégico, melhor do que quem está demasiado ocupado com a gestão operacional da empresa. Vamos por isso assumir que existe “Drive” e Visão. E os resultados, não contam? Contam. E muito. Porque por mais carisma que alguém tenha, e por mais grandioso que seja o “sonho”, é preciso que a empresa crie valor.

Imagine o leitor o que teria sucedido a Welch se toda a Visão grandiosa e o eu “Drive” não tivessem elevado a GE ao título e a ser a melhor empresa do mundo… Ou o que aconteceria a Mourinho se a sua controversa Liderança não se traduzisse em títulos…

Um Líder sem resultados será sempre um líder a prazo. As empresas, e os accionistas que abdicam do seu capital para investir num negócio, vivem da riqueza que criam.


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Camilo Lourenço é licenciado em Direito Económico pela Universidade de Lisboa. Passou ainda pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque e University of Michigan, onde fez uma especialização em jornalismo financeiro. Passou também pela Universidade Católica Portuguesa. Entre a sua experiência profissional encontramos redator principal do “Semanário Económico” (desde 1988); coordenador da secção Nacional do “Diário Económico” (de que foi um dos fundadores) desde 1990. Diretor adjunto da revista “Valor”, que ajudou a fundar (1992). Diretor da mesma revista (1993), onde se manteve até 1995. Editor de Economia da Rádio Comercial, de 1992 a 1997. Diretor editorial das revistas masculinas da Editora Abril/Controjornal: “Exame” (revista que também dirigiu); “Executive Digest”, entre outras. Comentador de assuntos económicos da Rádio Capital, de 2000 a 2005. Diretor da revista “Maisvalia” (de 2003 a 2005). Comentador da RTP e RTP Informação, onde passou também a apresentar o programa “A Cor do Dinheiro” (desde 2007). Colunista do “Jornal de Negócios (desde 2007); comentador de assuntos económicos da Media Capital Rádios (desde 2010). Numa das rádios do grupo, a M80, apresenta dois programas: “Moneybox” e “A Cor do Dinheiro”. Comentador de assuntos económicos da televisão generalista TVI, onde apresenta “Contas na TV”. A par destas funções, Camilo Lourenço é docente universitário. Lecionou na Universidade de Lisboa, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Por outro lado leciona pós-graduações e MBA. Em 2010, por solicitação de várias entidades (portuguesas e multinacionais), começou a fazer palestras de formação, dirigidas aos quadros médios e superiores, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2007 estreou-se na escrita, sendo o seu livro mais recente “Saiam da Frente!”, sobre os protagonistas das três bancarrotas sofridas por Portugal que continuam no poder.

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