Correndo o risco de alguns do que estão a ler não terem/perceberem do que falo, pergunto: Lembra-se do seu primeiro gira-discos? E da pecinha que tinha de se guardar religiosamente para poder tocar vinis grandes (LP) e pequenos (single)? E das cassettes que gravávamos e regravávamos e ouvíamos sem parar nos "ultramodernos" walkmans?
E do ADSL? O meu primeiro acesso à net era o vermelhinho da netcetera com o pássaro amarelo. Ou dos cursos de datilografia que se faziam (eu fiz o meu qwerty!). E ainda se lembra de usar DOS? Muito usei no meu primeiro Schneider com a grande inovação das disquetes!
E de termos apenas dois canais de televisão que não transmitiam no dia inteiro? E quando programas como o festival da canção paravam o país e eram tema de conversa e de grandes títulos jornalísticos no dia seguinte?
Pois é. Hoje muitos já nem do escudo se lembram, quanto mais de termos de parar na fronteira com Espanha e de nos revistarem o carro.
Se pensarmos bem, as mudanças ocorrem hoje a um ritmo cada vez mais acelerado. O que hoje é inovação e a última novidade, amanhã está ultrapassado. O que nem pensávamos ser possível, e que só víamos em tempos em filmes futuristas, são hoje realidades e nem queremos crer como conseguimos viver sem eles.
Se pararmos para pensar, muitos são os produtos e serviços que hoje temos, cujo fim já conseguimos descortinar.
Assim muito rapidamente, ocorrem-me alguns:
- Telefone fixo, talvez mesmo o móvel como o conhecemos hoje;
- Suportes de memória (CD, DVD, cartões e discos de memória), com a expansão da cloud e de serviçoes streaming;
- Dinheiro físico, cartões de débito e crédito (já ouviu falar das soluções da Square, Google e Apple?);
- Cartões de informação e identificação, como o cartão de cidadão, passaporte e cartões de lojas (já experimentou a versão app que algumas lojas oferecem, como a cadeia H3?);
- Carteiras (porta-moedas e de cartões);
- Chaves e porta-chaves, com o crescente uso da impressão digital e ocular;
- Títulos de viagem e de lazer, como passes de transporte e bilhetes (já conhece a solução da Vodafone com os sms?);
- Empresas de táxis (já pode experimentar em Portugal e no Brasil a app do 99Taxis com localização por gps e pagamento por paypal e já ouviu falar do Uber?);
- Carros conduzidos exclusivamente por humanos;
- Cinemas e livros em papel;
- Televisão por cabo;
- Rececionistas em hotéis, bilheteiras e atendimento em restaurantes de fast food.
E podia continuar aqui para o mundo da restauração, com máquinas automáticas, desde a separação e distribuição de produtos diversos, como bebidas, até mesmo à confeção da comida. Estranho? Já ouviu falar no
Robo Chef, que instala na sua cozinha e lhe prepara até 2000 refeições diferentes? E da
pulseira que substitui o seu smartphone e projeta o ecrã no seu braço, onde pode fazer tudo o que faz hoje exclusivamente no aparelho?
E já ouviu falar no projeto
Loon da Google, para levar a internet aos sítios mais recônditos do globo? Ou do carro da
Tesla que se auto-conduz com grande autonomia e o da
IDEO, que além de se auto-conduzir é também o seu escritório? Talvez já tenha tido oportunidade de ver os carros auto-conduzidos que circulam em Silicon Valley.
Estaremos nós e as nossas empresas preparadas para o ritmo cada vez mais rápido de mudança no mundo?
Andamos em ritmo de ação ou de reação à evolução e mudança que se vai operando nesta economia global?
Muito já se tem falado também nas mudanças intergeracionais que se vão sucedendo. Os chamados Milleniuns (ou
Geração Y) e agora a
Geração Z, que trazem diferentes motivações, aspirações e formas de trabalhar.
Estarão as nossas organizações preparadas para os receber, conseguir desenvolvê-los e levá-los ao seu potencial máximo?
Com a mudança a tornar-se numa constante e as necessidades e exigências do mercado a mudarem constantemente, torna-se imperioso abraçar os novos tempos, sem esquecer o emocional e o
equilíbrio de vida, sob pena de perdermos a identidade e o que nos torna especiais e de valor na organização, na sociedade e na família que integramos.
Sente-se na vanguarda ou na retaguarda?
O futuro pertence àqueles que veem o potencial antes de este se tornar óbvio.”- John Scully, ex-CEO da PepsiCo e da Apple