Porquê? Porque todos sabemos os custos que a errada contratação acarreta para as organizações. E, quando falo em custos, não me limito aos financeiros e humanos. As implicações que acarreta acabam, muitas vezes, não só na redução da faturação, mas também, em última instância, no encerramento da atividade.
A
Careerbuilder avançou recentemente com o resultado de um estudo que promoveu com o objetivo de apurar quais os impactos médios que o recrutamento errado tem nas organizações.
Segundo estes, as organizações apontaram, como média de impacto ao nível da produtividade, uns imensos 41%; em tempo despendido na contratação e em formação 40%; custo financeiro com a contratação e formação 37%, impacto negativo na motivação dos colaboradores da organização 36%; impacto negativo junto dos clientes 22%.
Será caso para recordar
Akio Morita, cofundador da Sony, que confessou um dia a propósito do recrutamento que: “Quando percebo que um colaborador não é o certo para o cargo que ocupa, sinto que a culpa é minha porque fui eu que tomei a decisão de o contratar”.

O impacto que esta errada contratação acarreta para uma organização é demasiado grande para ser ignorado e a sua constante repetição muito menos.
Uma errada contratação é capaz de acabar com a excelente equipa de trabalho em que o novo colaborador foi inserido e que tanto custou a reunir. O caráter e o regime de valores não coincidente com o da casa podem comprometer o ambiente de trabalho e a motivação da equipa.
Imaginemos que tem dois candidatos: um com caráter e com quase todas as competências que procura, e outro que revela algumas fragilidades no perfil, mas que apresenta um currículo fantástico e até aceita um vencimento inferior ao outro. Qual contrataria?
Peter Schutz, ex-Presidente e CEO da Porsche, apontava como máxima para o sucesso da empresa a sua crença: “Contrate caráter. Desenvolva competências.” Robert Bosch, fundador da multinacional alemã Bosch, foi mais além, ao afirmar, quando questionado sobre o sucesso da empresa, que: “Não pago bons salários porque tenho muito dinheiro; tenho é muito dinheiro porque pago bons
salários”.
Quem prefere ter consigo? Colaboradores fiéis aos seus princípios e valores, apaixonados pelo que fazem, altamente
motivados e comprometidos com a organização, capazes de trabalharem em
equipa e de adquirirem e superarem eventuais necessidades acrescidas de competências, ou uma equipa de ”yes men”, de recursos baratos, de desmotivados e acomodados? Acredite que os talentosos, pró-ativos e apaixonados, mas mal pagos, estarão consigo apenas até perderem a motivação que os levou a aceitar as funções e a conseguirem mudar-se para a concorrência.
Desafio-o a parar, a ponderar e a responder com sinceridade: Quem tem ao seu lado? Macacos ou pessoas?