TAP: Um Caso Estudo de “Boa Seguidança” – Carlos Oliveira

  
Os pilotos e o pessoal da TAP estão de parabéns e merecem um forte reconhecimento de todos os portugueses e de todos os clientes da TAP. Adicionalmente, os pilotos e o pessoal da TAP são o exemplo de que a boa seguidança (se é que este termo existe), é tão determinante para o futuro de uma organização ou país como a boa liderança.

Tap-Greve
Como é do conhecimento geral, o SPAC, sindicato dos pilotos, decretou uma greve incompreensível e irresponsável de 10 dias, que teria um dano irreparável para a empresa e muito gravoso para o turismo em Portugal.

Escrevo este artigo no último dia da greve e a bordo de um voo da TAP de Lisboa para Londres. Enquanto esperava pelo meu voo reparei que a maior parte dos voos da TAP foram realizados. Segundo a comunicação social, a maior parte dos pilotos boicotou a greve decretada pelo sindicato e os restantes sindicatos e pessoal da TAP nunca consideraram fazer greve.

Existe uma noção de que os líderes são os principais responsáveis pelo destino de uma organização ou país. Não é bem assim. Especialmente no caso de um país, o seu destino é delimitado especialmente pela cultura e pela vontade das bases, que votam ou legitimam o líder A ou B. Um líder que tenha as soluções mais corretas para o futuro, mas que não esteja alinhado com a cultura e a maturidade de quem vota ou com a moda dominante, será preterido em favor de um líder com as soluções erradas ou demagógicas, se este estiver mais alinhado com a cultura e a maturidade de quem vota e a moda dominante. Numa organização, o poder vem de cima, mas o sucesso da organização depende essencialmente do compromisso, do alinhamento, da competência e do empenho das pessoas da organização.

O poder de um líder, por definição, está nos seguidores e não no líder em si. Boas bases (bons seguidores) apoiam e geram bons líderes. Bases medíocres apoiam e geram líderes medíocres. O caso da TAP é demonstrativo e mostra o verdadeiro poder da boa “seguidança”. Neste caso, as bases estão num nível de maturidade superior aos líderes que os representam. A liderança do SPAC perdeu força e perdeu face com esta greve. A boa seguidança foi mais forte que a má liderança.

PS. Não conheço muito da lei laboral, mas sempre julguei que o direito à greve existia para defender os direitos dos trabalhadores e não para primariamente causar dano e prejuízo. Deste modo, não se compreende como é que um porta-voz que afirma que a greve não foi um insucesso porque conseguiu infligir um prejuízo de trinta e tal milhões à companhia que lhe dá um emprego, não é sumária e legalmente despedido e colocado em tribunal.


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CMO-PLCarlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da Leadership Business Consulting, empresa internacional de consultoria de gestão presente em 8 países, África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos da América, Espanha, Moçambique e Portugal. Assina quinzenalmente a rubrica "Ponto de Vista" no Portal da Liderança sobre os temas da liderança-gestão, economia-sociedade e inovação-empreendedorismo. Mais informações aqui.

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