Temos uma ampla gama de setores, de indústrias com que trabalhamos, de problemas de design e de inovação que tentamos resolver. A forma como gostamos de pensar nisso é que temos o conhecimento de como inovar e que nos juntamos ao cliente que tem o conhecimento sobre a indústria. Nós temos aquilo a que chamamos “mente de principiante”. Temos uma mente aberta às possibilidades e isso pode ser útil. No entanto, nem sempre o é e algumas vezes também é importante ter o conhecimento. Existem, com certeza, algumas indústrias como a de cuidados de saúde por exemplo, onde isso se aplica. Os serviços financeiros são outro setor onde temos feito muito trabalho e onde temos construído algum conhecimento ao longo dos anos e em que tentamos mobilizar esses conhecimentos dentro da organização da melhor forma possível. Mas estamos dependentes do valor de ter uma mente aberta quando abordamos uma nova questão. Talvez seja a razão pela qual somos bem-sucedidos a trabalhar em várias indústrias diferentes. Também somos insaciáveis na procura de novos problemas para resolver e temos muitas organizações criativas, como um distúrbio de deficit de atenção severo, portanto gostamos de trabalhar em coisas diferentes, gostamos de resolver novos desafios e é isso que nos motiva.
Tenho muita empatia pelos clientes, porque vi que ao gerir uma organização é muito difícil continuar sempre a inovar em todas as áreas. Na IDEO temos uma cultura emergente, onde as pessoas têm sempre novas ideias. Somos definitivamente mais uma organização com 1000 flores a florescer do que motivada pelo topo, onde vamos inovar agora aqui e depois ali. O meu trabalho é tentar ajudar e encorajar a fazer um reconhecimento de patentes em todas as coisas e em tentar imaginar onde podemos focar os nossos recursos. Mas penso que o que mais tento fazer é encorajar as pessoas para se lembrarem de fazer as mesmas perguntas criativas sobre o nosso próprio processo, como fazemos com os nossos clientes. É mais fácil dizer do que fazer. E tem que se ter tempo para isso. Tem que se lembrar que, como qualquer organização, se tiver uma mentalidade operacional, onde estamos apenas a fazer o trabalho, é fácil esquecer a inovação. Na IDEO colocamos recursos de lado para que as equipas trabalharem em algo, apenas porque estão interessados em aprender sobre isso, e não necessariamente porque o cliente está a pagar. Por isso, fazer I&D próprio, mesmo numa organização inovadora, é importante.| Tim Brown é presidente e CEO da IDEO, sendo orador habitual sobre design thinking e inovação para líderes empresariais de todo o mundo. Designer industrial de formação, ganhou números prémios de design, tendo tido a sua obra exposta na Axis Gallery, Tóqui, no Design Museum de Londres e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Tim Brown é consultor de executivos de empresas da Fortune 100 e membro da administração do Mayo Innovation Advisory Council e do Advisory Council of Acumen Fund. É autor do livro “Change by Design”. |
[Leia aqui mais entrevistas] [Topo]
Apoio: