Nelson Mandela, prisioneiro nº 46664, na Ilha Robben, pela luta contra as diferenças sociais
Há números curiosos e o prisioneiro nº 46664 tem um desses números, uma capicua. Um número é capicua quando lido da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda representando sempre o mesmo valor.
Nelson Mandela, teve e terá sempre o mesmo valor, isto é, gigantesco, quer em liberdade, quer nos 27 anos que permaneceu encarcerado, ou mesmo após a sua morte. O valor do seu legado é enorme mas, mais do que o legado é grandiosidade de um homem que nos ensinou e continua a ensinar que devemos lutar sempre por sociedades livres e iguais, mesmo que o percurso se apresente acidentado.
Desejamos caminhos fáceis e acreditamos que somos pequenos para alcançar grandes feitos, mas Nelson Mandela ensinou-nos que não há caminhos fáceis para a liberdade e que a nossa missão é brilhar.
Ser pequeno, segundo o próprio não ajuda o mundo. Abraçar uma causa é um exercício diário, e poucos são aqueles que o conseguem. Acredito que, mais do que uma escolha do próprio, foi a própria luta pela igualdade social que o escolheu - “O nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, a que mais nos amedronta.”
Homem de sorriso rasgado, magnânimo e com profundo sentido de justiça, desde de cedo se apercebeu da enorme decalagem entre os direitos dos negros e dos brancos, tornando-se o símbolo de luta anti-apartheid na África do Sul. Nem mesmo na prisão deixou de mobilizar e de influenciar as pessoas numa luta que não se limitou à Africa do Sul.
Descendente do rei Thembu, com uma condição social privilegiada, podia ter feito uma jornada de vida diferente, tranquila e sem agruras. Mas há homens que não se acomodam, cuja longanimidade perante os mais desfavorecidos são o motor das suas vidas. Parafraseando, os verdadeiros líderes devem estar prontos a sacrificar tudo pela liberdade do seu povo.
Os seus ensinamentos de vida são uma fonte de inspiração para todas as gerações:
Não ter medo de cair.
A coragem não é ausência de medo.
A diferença que fizemos nas vidas dos outros é que determinar o significado da vida que levamos.
Tudo aquilo que fazemos deve ser de forma apaixonada.
A igualdade social é a única base para a felicidade humana.
Estas são palavras que Nelson Mandela nos deixou e que devem ser guias para nos mantermos livres e, acima de tudo, respeitarmos cada pessoa como ser único e igual nas suas diferenças. A democracia numa fase embrionária tem muitas fragilidades. Não podemos descurar que a barreira entre a liberdade e a ditadura é mais ténue do que parece.
No dia da sua morte, muitos foram aqueles que clamaram que o mundo tinha perdido Nelson Mandela, mas o mundo nunca perderá um homem cuja lição de vida é um exemplo para a humanidade. Nelson Mandela é global e o denominador comum na luta contra as diferenças sociais – “O objetivo da liberdade é criá-la para os outros”.
Sandra Correia, colaboradora da Leadership Business Consulting desde 2001, é membro da comissão organizadora do Global Strategic Innovation e do Best Leader Awards. Exerce funções de assistente de direção da Leadership Business Consulting e de gestora do bem-estar e da felicidade da organização.