Os líderes devem escrutinar o mundo à procura de sinais de mudança, e serem capazes de reagir de forma instantânea. Vivemos num mundo que exige cada vez mais aquilo que o psicólogo Howard Gardner apelida de “ inteligência holofote” . Ou seja, a capacidade de ligar os pontos entre pessoas e ideias, onde outros não veem qualquer conexão possível. Hoje é mais importante do que nunca ter uma perspetiva informada, no sentido de antecipar o que vem a seguir e de ter sucesso no futuro emergente.
Já dizia Peter Drucker (o “pai” da gestão moderna) que “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. Mas como podem os líderes das empresas movimentar-se num campo de jogo que está permanentemente a mudar de forma?
Os melhores líderes são os melhores alunos
No sentido de encontrarem o seu caminho nas constantes alterações, os líderes não podem contar com mapas estáticos, nem podem esperar gerir a complexidade fixando-se em detalhes.
A reinvenção e relevância no séc. XXI advêm da nossa capacidade de ajustar a maneira de pensar, de aprender, de fazer e de ser. Os líderes devem sentir-se confortáveis a viverem num estado em que estão a “tornar-se” de forma contínua. Os líderes que permanecem no topo das mudanças na sociedade fazem-no por serem recetivos e capazes de aprender. Numa época em que o tempo médio de vida de uma capacidade/competência é de cerca de cinco anos, o líder tem a responsabilidade de renovar a perspetiva a fim de assegurar a relevância da sua organização.
De forma a transitarmos para uma economia criativa em rede, precisamos de líderes que promovam a aprendizagem e que a dominem de forma rápida, relevante e autónoma – não há outra maneira de resolver os perversos problemas que se nos deparam. Se o trabalho é aprender e aprender é o trabalho, então a liderança deve ter tudo a ver com a permissão da aprendizagem. Num estudo recente, 85% dos entrevistados citam a aprendizagem como sendo importante ou muito importante. No entanto, de acordo com a mesma análise, mais empresas do que nunca relatam que não estão preparadas para enfrentar este desafio.
Está em curso uma transformação maciça: das instituições concebidas para a eficiência escalável na direção das instituições destinadas à aprendizagem escalável. A chave é encontrar formas de nos conectarmos e de participar em fluxos de conhecimento que desafiam o nosso modo de pensar e nos permitem descobrir novas maneiras de nos conectarmos, colaborar e fazer um melhor trabalho, mais inteligente e com maior rapidez.
Dominar o conhecimento pessoal
A vantagem competitiva sustentável está dependente de ter pessoas que saibam como construir relacionamentos, procurar informação, escrutinar as observações e partilhar ideias através da utilização inteligente das novas tecnologias. Assim, os líderes devem ter uma estratégia de aprendizagem ao longo da vida, em que assumem o controlo do seu desenvolvimento profissional através de um processo contínuo de procura, de fazer sentido dos inputs que recebem e da partilha.
Procura. Trata-se de encontrar e de se manter atualizado. Num mundo a transbordar de informação, precisamos de filtros inteligentes para descortinar os dados valiosos. Tal exige avaliar e ajustar de forma regular as fontes de informação em que baseamos o nosso pensamento e tomada de decisão. O que importa hoje é estar conectado a uma rede inteligente de pessoas de confiança que podem ajudar-nos a filtrar informação útil, a expor os nossos pontos mortos e a abrir os nossos olhos.
Fazer sentido. É como personalizamos a informação e a usamos. Inclui refletir e colocar em prática o que aprendemos. É um processo com base no pensamento crítico onde, juntos, tecemos os nossos pensamentos, experiências, impressões e sentimentos para que façam sentido. Ao manter um blog ou anotar ideias por escrito, por exemplo, contextualizamos e consolidamos a nossa aprendizagem.
Partilha. Inclui a troca de recursos, de ideias e de experiências com as nossas redes, bem como colaborar com os nossos colegas. A partilha é um processo de contribuição, em que passamos o nosso conhecimento em frente, trabalhamos lado a lado, passamos por iterações e aprendemos de forma coletiva a partir de ideias e reflexões importantes. Construímos respeito e confiança ao sermos relevantes quando partilhamos algo nas nossas redes sociais ou falamos perante um grupo.
Há uma ampla gama de ferramentas digitais neste sentido, que são cruciais, mas o domínio na era digital só é alcançado se o líder souber como estabelecer confiança, respeito e relevância nas redes humanas. Ao procurar, tentar fazer sentido e partilhar, todos numa organização podem tornar-se parte de um organismo de aprendizagem, ouvido em frequências diferentes, perscrutando o horizonte, reconhecendo padrões e tomando melhores decisões com conhecimento de causa e de modo informado.
Para tal, é necessário ter inteligência emocional – a capacidade de usar as emoções para facilitar a razão e raciocinar de modo inteligente acerca das mesmas. Veja em que ponto se encontra a sua, e como a pode trabalhar, no inquérito “Avalie o seu Nível de Inteligência Emocional”.
21-12-2015
Kenneth Mikkelsen, dinamarquês, é um conselheiro em liderança, designer de aprendizagem, orador e escritor. É co-fundador da FutureShifts e está de momento a escrever o livro “The Neo-Generalist”, sobre a forma como os generalistas moldam o nosso mundo.
Harold Jarche, canadiano, é consultor e orador internacional, apoiando profissionais e empresas a adaptarem-se à era em rede. Fornece orientação pragmática sobre liderança conectada, aprendizagem social, o domínio do conhecimento pessoal e a colaboração no local de trabalho.
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