Somos líderes por natureza, aprendizagem ou ilusão?

  
Todos nós temos, por certo, uma posição acerca da questão que abre esta reflexão, bem como teorias e experiências que a validam.

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A liderança é um tema de que muito tem sido falado, mas do qual nunca se falará demais, uma vez que esta “não é algo que se impõe às pessoas, [mas] é algo que se faz com elas”, como diz Ken Blanchard no seu “O comprimido da liderança”.

Existirá então a liderança por natureza? Acredito que sim, que alguns de nós reúnem características que os dotam de capacidades acrescidas de liderança, sem que tenham estudado, desenvolvido e trabalhado sobre as mesmas.

Existem líderes desde que o Homem se reúne em grupo. Atrevo-me mesmo a dizer que todos nós somos líderes de nós mesmos, pelo que se trata de uma capacidade necessária a todos.

E líderes por aprendizagem? Sem dúvida. A necessidade de liderar uma equipa, departamento, empresa ou mesmo apenas a nossa família, aliada à motivação e ao esforço que lhe dedicamos, permite-nos potenciar e desenvolver competências de liderança.

Será então um fator diferenciador ter um MBA? Pelas teorias e técnicas que nos ensina? Pelas experiências que nos permite ter? Sem dúvida que isto é importante e potenciador de uma melhor liderança. Mas é a visão do que queremos para o nosso futuro, a autoconfiança, a persistência, o esforço e a dedicação que o MBA exige para que seja concluído com sucesso, que o tornam um fator diferenciador entre quem o tem e quem não o tem no seu CV. Essas são as premissas para que consigamos ser líderes ou melhores líderes por aprendizagem.

Mas então e a aprendizagem por coaching? Importantíssima. Atrevo-me mesmo a dizer que é fundamental. Todo o líder deve aprender com tudo e todos e ser coacher dos que lidera. Segundo Noel M. Tichy (The Leadership Engine), o líder é em si mesmo um professor que fomenta o desenvolvimento de outros líderes em todas as áreas da sua empresa, de tal forma que, depois de a deixar, esta continua a trilhar o caminho do sucesso. O líder vencedor é o que cria líderes, que tem ideias, valores pessoais e profissionais, que é enérgico e toma decisões difíceis, que gere através de tempos conturbados e faz acontecer.

Jack-Welch-GEComo disse Jack Welch referindo-se à sua prestação na GE, “A minha principal responsabilidade era desenvolver talento. Eu era o jardineiro que providenciava água e outros alimentos aos nossos 750 colaboradores de topo.” Entre tantos outros exemplos que nos deixou do que afirma, podemos apontar o caso de Jim McNerney, um jovem talento identificado por Welch: foi deslocado de vice-presidente de Marketing da segunda unidade de negócio mais pequena da GE para diretor-geral de um pequeno centro com responsabilidade pelo P&L numa indústria diferente; fez ali um excelente trabalho, de tal modo que, um ano depois, foi nomeado vice-presidente executivo da GE Capital. Fez o mesmo com Jim Kilts (ex Chairman e CEO da Gillette Company), A. G. Lafley (ex Chairman e CEO da Procter & Gamble) e Reuben Mark (Chairman e CEO da Colgate-Palmolive Company), entre muitos outros, de uma forma rotineira, o que permitiu o seu próprio sucesso.

E existirá o líder por ilusão? Infelizmente sim. O líder por ilusão é o que não passa de gestor. Até pode conseguir resultados financeiros, mas não motiva, não é íntegro, não responsabiliza as pessoas que trabalham consigo e controla todos os passos da empresa, não louva e, seja qual for o esforço e sucesso alcançado pelos seus colaboradores, diz que não fizeram mais que a sua obrigação. O líder por ilusão tem-se em grande conta, acreditando que é o melhor, o mais inteligente e o mais capaz de todos. Jack Welch deixa-o bem claro quando diz: “Nunca fui o mais esperto da sala. Desde a primeira pessoa que contratei, nunca fui o mais esperto da sala. E isto é um grande negócio. Se estiver a preparar-se para ser líder - ou se é um líder e se é o mais esperto do mundo – terá sérios problemas na sala.”

No meu entender, o líder deverá destacar-se pelo seu caráter, pelas suas qualidades e sistema de valores pessoais, pela sua visão, pela capacidade de concretizar e produzir resultados, de transformar, bem como pela sua dedicação ao desenvolvimento de terceiros e conhecimento do segmento do negócio que lidera.

Como disse Abraham Lincoln, “A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.

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fatinha-portal-artigo1Fátima Rodrigues é editora de conteúdos na Leadership Business Consulting e gestora do Portal da Liderança.



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