Inovação, o chavão da moda que nem a classe política dispensa - Camilo Lourenço

  
Inovação. Quem não fala nela? A classe política, a começar pelo Presidente da República, fez dela ponto obrigatório do discurso oficial; a Cotec não organiza encontro sem bater na mesma tecla; as empresas usam-na por tudo e por nada; os académicos esforçam-se por botar teoria sobre ela. Até temos um Secretário de Estado para a Inovação…

Camilo-Lourenco-Cronicas
A Inovação transformou-se no chavão da moda. Como já houve outros no passado, dos quais se abusou até à exaustão. Mas não podemos olhar para a Inovação como um chavão. Porque ela é um elemento crítico para a modernização das empresas e da economia. Que outro recurso permite às empresas diferenciarem-se no mercado, incorporando valor nos produtos e serviços que criam? Que outra solução permite a empresas que pagam salários elevados conseguirem vender o que fazem?

Como se dizia acima, a Inovação não pode ser entendida como uma moda. Porque as empresas precisam dela em permanência. O que significa que têm de a incorporar no seu código genético. Como é que isso se faz? Estruturando toda a estratégia da empresa em torno desse objectivo. E isso não se consegue nomeando alguém para Inovador-mor (parece ser essa a estratégia por trás da nomeação de um Secretário de Estado para o sector…). Consegue-se tornando a Inovação numa das preocupações centrais da Liderança nas empresas. Se o líder, o CEO, não tiver um forte compromisso com a Inovação, dificilmente essa preocupação se vai “filtrar” pelos vários escalões da empresa, até ao “floor”. Parece óbvio mas não é: de facto a inovação tem de estar presente em todos os escalões da empresa, do CEO ao colaborador mais modesto.

Mais: a tarefa do Líder não se esgota aqui. É importante perceber do que estamos a falar. A Inovação não tem de se esgotar no resultado, nos produtos e serviços produzidos. Uma empresa pode-se reinventar inovando nos processos, por exemplo. E conseguir, dessa forma, acrescentar valor ao que faz. Assim como é importante a aposta numa “pool” de talentos e um compromisso forte com a Formação.

“Easier said than done”, dirá o leitor. E como é que isso se faz? Fixando objectivos, controlados por métricas, para os vários departamentos da empresa. Por exemplo, criar uma forma para saber qual o peso da Inovação no valor criado por cada departamento e desafiar, através de uma política de prémios, os colaboradores a perseguir objectivos mais ambiciosos no ano seguinte. Como se pode perceber, não é algo que se consiga com políticas de curto prazo; consegue-se com um plano a cinco ou dez anos, sendo que em cada ano se fixam objectivos intermédios. Mensuráveis através de métricas credíveis.

A Inovação tem de ser um estado de espírito, uma convicção; algo que é vivido e sentido por todos os colaboradores e não como a imposição de um conjunto de práticas na empresa.


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Camilo Lourenço é licenciado em Direito Económico pela Universidade de Lisboa. Passou ainda pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque e University of Michigan, onde fez uma especialização em jornalismo financeiro. Passou também pela Universidade Católica Portuguesa. Entre a sua experiência profissional encontramos redator principal do “Semanário Económico” (desde 1988); coordenador da secção Nacional do “Diário Económico” (de que foi um dos fundadores) desde 1990. Diretor adjunto da revista “Valor”, que ajudou a fundar (1992). Diretor da mesma revista (1993), onde se manteve até 1995. Editor de Economia da Rádio Comercial, de 1992 a 1997. Diretor editorial das revistas masculinas da Editora Abril/Controjornal: “Exame” (revista que também dirigiu); “Executive Digest”, entre outras. Comentador de assuntos económicos da Rádio Capital, de 2000 a 2005. Diretor da revista “Maisvalia” (de 2003 a 2005). Comentador da RTP e RTP Informação, onde passou também a apresentar o programa “A Cor do Dinheiro” (desde 2007). Colunista do “Jornal de Negócios (desde 2007); comentador de assuntos económicos da Media Capital Rádios (desde 2010). Numa das rádios do grupo, a M80, apresenta dois programas: “Moneybox” e “A Cor do Dinheiro”. Comentador de assuntos económicos da televisão generalista TVI, onde apresenta “Contas na TV”. A par destas funções, Camilo Lourenço é docente universitário. Lecionou na Universidade de Lisboa, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Por outro lado leciona pós-graduações e MBA. Em 2010, por solicitação de várias entidades (portuguesas e multinacionais), começou a fazer palestras de formação, dirigidas aos quadros médios e superiores, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2007 estreou-se na escrita, sendo o seu livro mais recente “Saiam da Frente!”, sobre os protagonistas das três bancarrotas sofridas por Portugal que continuam no poder.

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