Todos nós temos dias melhores e dias piores, e ninguém é perfeito. A questão a colocar não deverá ser "sou perfeito?", ou ter sequer a expetativa de o vir a ser. Tal só o levará a mais dias maus. A questão é: "estou a ser o que preciso de ser em cada situação ou ando a levar os outros à loucura?".
Pensemos. Alguém gostaria de trabalhar numa casa cujo chefe fosse um grande comunicador, que o valorizasse frequentemente e fosse extremamente empático e disponível, mas que não tivesse qualquer visão do negócio, nem capacidade de gestão financeira? Que adiasse decisões fundamentais ou que mudasse frequentemente de ideias, de um dia para o outro? Que assumisse compromissos, mas, chegada a hora, não correspondesse e lhe desse uma desculpa qualquer, ou nem isso? E se, além disso, não delegasse e fosse avesso à mudança?
Pois é. O mais certo era sentir-se à beira da loucura e desejar afincadamente um líder que tivesse competências de gestão mais fortes.
Mas pensemos agora ao contrário. Seria feliz e realizado com um gestor que tivesse uma grande visão do negócio, gerisse eficazmente o capital da empresa, tomasse decisões atempada e decisivamente, mas que o fizesse isoladamente, sem ouviu fosse quem fosse? Se nunca tivesse uma palavra amigável ou de reforço positivo para consigo, e nunca soubesse, quando chega pela manhã, se lhe vão ser comunicadas mudanças radicais a implementar a partir desse dia? E se, para além de tudo, ainda se focasse apenas nos números e as pessoas fossem meros meios para alcançar os seus fins?
É verdade. Provavelmente, estaria igualmente a dar em louco e a contar os minutos para deixar a empresa e nunca mais olhar para trás.
Então, em que ficamos? Queremos um gestor, um líder ou ambos? O que é preciso para fazer crescer uma empresa, quer em números, quer em capital humano?
Conduzir uma empresa implica diferentes competências, em função dos desafios incontornáveis à função. Não chega ser um líder a 100% se não tiver quaisquer competências de gestão, como não chega ser um gestor a 100% sem quaisquer competências de liderança. Ambos são insuficientes e podem levar a casa à desgraça e o pessoal à loucura.
Muito se tem escrito sobre essa coisa de ser gestor ou ser líder. Uns defendem uma, outros defendem outra. Eu, pelo que disse, defendo o equilíbrio entre as duas. Não sendo possível, prefiro um líder assessorado por um bom gestor.
Provavelmente, estará a pensar que estou erradíssima, porque um bom gestor é o que gera resultados. Até é capaz de estar a pensar (vá lá, assuma), que o que mais há é quem queira trabalhar e que, se hoje um vai embora, tem vários a querer entrar.
É verdade. Em virtude dos tempos que se vivem e da escassa oferta, face à procura, tendemos a flexibilizar o que toleramos e mesmo o que aguentamos, para garantir um salário no final do mês. Mas pense: quem tem talento e pode realmente levar a casa mais longe, são aqueles de que falava acima, na analogia com a casa sem luz. Quanto tempo quer tê-los consigo? Não lhe interessa, porque vem logo outro? Então pensemos em números: quanto lhe custa um processo de recrutamento? Mesmo que seja feito pela casa, quantas horas e recursos vai alocar entre receber, ler, selecionar currículos, agendar entrevistas, segundas entrevistas, conduzi-las, decidir, contratar, dar formação e a pessoa se integrar na casa e conseguir produzir sem apoio e com a qualidade que precisa para chegar aos números que persegue no final do ano?
Pois é. Afinal a ideia de que não precisa de reter as pessoas, porque, por cada um que sai tem cem a querer entrar, tem custos e não são pequenos. E já nem falo no impacto que gera na equipa e em como, também aí, pode ter muito a perder.
Ensinaram-me desde criança que ninguém é perfeito, porque “só Deus é perfeito”. Na dúvida sobre como proceder, sigamos a regra de ouro bíblica: “faz aos outros o que queres que te façam a ti”.
Não conseguiremos ser perfeitos, e nem devemos aspirar a tal, mas devemos dar o nosso melhor e estar à altura dos desafios que se nos deparam. Se temos falta de
competências fundamentais para tal, temos sempre dois caminhos: desenvolvê-las ou, se for necessário/possível, fazermo-nos rodear pelos que as têm e nos complementam.
Como atuar para com as pessoas? Sejam eles seus colaboradores ou seus clientes, seja fiel aos seus valores e siga a máxima de que falámos atrás, e não haverá como falhar no campo da
inteligência emocional.
Não sabe se a sua inclinação atual é mais para ser Líder ou Gestor? Venha daí e faça o
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