Satya Nadella, CEO da Microsoft, foi severamente criticado por ter referido num evento para mulheres, que “Não se trata de pedir um aumento salarial, mas de saber e de ter fé que o sistema irá mesmo dar-lhe o aumento justo ao longo do tempo”.
Será uma questão de fé, como disse Nadella?
A palavra usada por Nadella foi “faith”, que penso poder ser traduzida por fé ou por acreditar.
Neste caso, creio que o que Satya Nadella queria dizer era que os colaboradores deverão acreditar que as suas entidades patronais estão atentas, são justas e éticas, e que aumentarão os seus salários sem que tenham de o pedir, porque valorizam o seu trabalho, o seu contributo, a sua dedicação e fidelidade à casa.
O inverso é, no meu entender, uma
desmotivante situação que destitui de sentido e de valor o aumento em si mesmo. Se tem de ser o colaborador a pedir o aumento e, na maior parte dos casos, ainda tem de defender a razão desse pedido, é porque, acreditando que trabalha e valoriza a empresa, esta não o valoriza o suficiente, nem ao seu contributo.
Não só a entidade não reconhece nem valoriza o contributo do seu colaborador, como ainda exige que este justifique o motivo por que está a solicitar atenção para o trabalho e empenho que lhe dedica, e que, também muitas vezes, “regateie” o aumento, quase como se estivesse num mercado marroquino, numa luta de forças entre o que é justo e o que se consegue da negociação.

Com isto não digo que tal não possa nem deva ocorrer. Se a entidade toma a iniciativa de aumentar o colaborador, mas este pensa não ser o montante justo, pois que avance e justifique o porquê de não o achar correto face ao seu desempenho.
Surge ainda outra condicionante, de que já falámos noutra ocasião: a dos aumentos nas
remunerações nem sempre terem de ser financeiros na sua totalidade.
Muitas são infelizmente as empresas que enfrentam neste momento situações
financeiramente difíceis. Por vezes, embora reconheçam o valor do trabalho de dado colaborador, podem não ter disponibilidade financeira para lhe atribuir esse aumento. Fim do problema? Não creio.
O que lhe parece mais motivador e com potencial de retenção desse talento? Chamá-lo, abordar a questão, as dificuldades da empresa e propor alternativas não financeiras, ou ignorar a questão e simplesmente nada fazer?
Quando falo de alternativas não financeiras, refiro-me a dias adicionais de férias, custos que a empresa pode assumir com benefícios fiscais para ambos as partes, como cheques-creche, ginásios, seguros de saúde alargados ao seu agregado familiar (filhos e cônjuge), entre outras.
Também aqui a imaginação e a inovação podem andar de mãos dadas.
Voltando a Satya Nadella e às suas declarações, não será que, quando um colaborador sabe e acredita que o sistema vai mesmo dar-lhe o aumento justo no tempo oportuno, é um colaborador feliz, realizado e com disponibilidade mental para se superar na dedicação à casa e se focar no seu trabalho e no negócio?
Qual o seu caso? Como é tratada esta questão na sua organização?
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Fátima Rodrigues é gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting, tendo sido coordenadora editorial da área de business do grupo Almedina e lecionado na Congrégation Saint-Joseph de Cluny. Esteve ligada vários anos ao Conselho da Europa, onde exerceu funções de formadora do GERFEC em relações interculturais e interreligiosas em contexto corporativo e social. É fundadora e administradora geral do projeto online de fomento à leitura
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