Daniel Goleman escreveu sobre o impacto que o humor na liderança gera na produtividade e motivação da equipa. No
artigo, conta que um líder de topo de uma pequena empresa partilhou com ele que “Quando o meu estado de espírito está enraivecido, os outros apanham-no como uma gripe”.
Na entrevista que será disponibilizada esta semana,
Sandra Correia, CEO da Pelcor, refere também que “Se eu estiver 100% motivada, a minha equipa está 100% motivada”.
No seguimento, Goleman partilha um estudo desenvolvido com 56 líderes de equipas, no qual se constatou que, nas equipas cujo líder era positivo, a coordenação do trabalho era melhor e conseguia-se alcançar uma maior produtividade com um menor esforço despendido. Já nas equipas com um chefe mal-humorado, o trabalho era mal articulado, acabando por ser um esforço ineficaz. O trabalho desenvolvido até poderia ser mais, mas não tinha a qualidade necessária. Pior ainda, os esforços da equipa em pânico para agradar ao líder levavam à tomada de más decisões e a estratégias mal escolhidas. Em acréscimo, o ambiente de trabalho degradava-se, comprometendo a capacidade de cada colaborador para desenvolver e dar o seu melhor.

Se pensarmos que ninguém mal-humorado é feliz, para além de estar a prejudicar a equipa e a organização, um chefe rabugento será sempre o primeiro prejudicado com a sua atitude.
Quando tudo parece correr mal, todos temos a tendência natural de “descarregar” no primeiro que nos aparece à frente. Mas devemos fazê-lo?
O que se espera do líder e o que é melhor para a organização e para os resultados que pretende atingir no final do ano? Quando as coisas não correm de feição, será que, em vez de motivar a equipa, de prover pela redução do stress, da ansiedade e de levar a equipa a contra-atacar e fazer melhor, deva piorar a situação com o seu mau humor, seja um fator impulsionador de ainda mais stress na equipa e de desmotivação? Que resultados poderá esperar quem toma esta atitude?
Deverá o líder apagar o fogo ou ser aquele que o ateia e faz alastrar? Sabia que o fim mais habitual dos incendiários é morrerem no fogo que atearam?
Goleman acrescenta ainda no dito artigo que “as pessoas lembram-se melhor das interações negativas com o chefe, com um maior detalhe, do que das positivas que tiveram com o mesmo.”
Atendendo a este facto, a balança estará sempre a pender para o lado negativo, pelo que o desafio do líder da equipa será fazê-la pender para o lado positivo com a sua atuação.
Um trabalho árduo? Por vezes solitário? Sem dúvida. Um líder é, primeiro que tudo, uma pessoa e não um herói ou um ser superior, dotado pelos deuses com poderes especiais. Todos precisamos de gerir o stress e todos temos maus dias. Lamento, mas faz parte de ser pessoa.
O desafio é encontrar outros escapes para o stress, o próprio e o que cria nos outros, livrar-se da insensibilidade e estar sempre atento ao que deixa atrás de si e, em caso de necessidade,
recuperar défices
emocionais que deixou pelo caminho.
Como me dizia o Comendador Rui Nabeiro, Presidente da
Delta-Cafés, um dia destes, “tenho dias menos bons, mas que procuro que sejam poucos. Nesses dias, às vezes entro na fábrica e não cumprimento todos os colaboradores, mas garanto que, no dia seguinte, quando chego, os cumprimento duas vezes e lhes digo que uma é pelo dia anterior.”
Que tipo de atitude tem para com a sua equipa? Chefe rabugento ou líder positivo? E como gere os dias menos bons?