A grande trabalheira da gestão do stress. Será mesmo necessário? – Fátima Rodrigues

  
Haverá alguém que, nos dias de hoje, possa afirmar convictamente que nunca foi atacado pelo stress? Aquele malvadinho que, se não lhe fizermos frente, é capaz de nos tornar a vida num verdadeiro inferno, a nós e aos que nos rodeiam?

FCR-Inverno-2

Eu fui, assumo. E por diversas vezes, até que um dia o meu CEO me disse que andava muito ansiosa e precisava de gerir o stress. Ainda hoje oiço as palavras que me fizeram parar e pensar se realmente estava a ficar refém desta vida de mil afazeres e responsabilidades, onde é preciso estar sempre um passo à frente e a criar o futuro. Mas o que fez a grande diferença, foi a abertura com que depois ouvi o conselho que me deu: “E se fosses para o ginásio? Olha que te ia fazer bem”.

Eu, que sempre fugi de tal sítio perverso, onde achava que deviam ser todos doidos por andarem a pagar para quase os matarem, avessa a qualquer coisa parecida com desporto, acreditei nele e, para além de me decidir a fazer alguma coisa por essa coisa da gestão do stress, fui experimentar o dito ginásio.

Para além da inscrição no ginásio, comprei um livro. Sim, porque embora alinhasse na coisa do ginásio, ainda tinha de aprender a gerir o stress e desconfiava que ia ser uma grande trabalheira.

O livro prometia. Tamanho pequeno, de uma coleção chamada “Criando Sucesso” e com o sugestivo título “Como Lidar com o Stress”. Era mesmo o que precisava. Lá veio comigo, mas confesso que ler a introdução foi assustador… mas esclarecedor. Estava realmente doente, doente de stress e a precisar de aprender a geri-lo.

Se, no primeiro parágrafo deste artigo, respondeu negativamente à questão que deixei ou, pelo menos, ficou na dúvida, deixo-lhe o rol das perguntas que abrem a introdução do dito livro que veio comigo da livraria.
  • Stress-1Sente-se stressado?
  • Anda a adiar os projetos importantes que tem para completar?
  • Irrita-se, dá respostas tortas e fica zangado facilmente?
  • Tem dificuldades em estar sob pressão?
  • Faz tempestades em copos de água?
  • Nunca tem tempo suficiente para trabalhar ou relaxar?
  • Está farto da vida?
  • Martiriza-se por erros triviais?
  • Anda a ter problemas de garganta, tosses e constipações com mais frequência?
  • Age normalmente de forma passiva ou agressiva?
  • Não se consegue concentrar ou manter-se concentrado em qualquer tarefa importante, seja qual for a sua dimensão?
  • Anda esquecido?
  • A sua autoestima e valor andam em baixo?
  • Sente-se ansioso com frequência?
  • Sonha acordado em vez de viver no presente?

Vê-se retratado neste diagnóstico? Eu vi.

Mas parecia-me que a patologia era difícil e, depois de uma leitura diagonal do livro, só me ocorria uma dúvida: seria preciso mesmo tanto trabalho para gerir o malvado stress?

Hoje partilho consigo algumas das conclusões a que cheguei e daquilo que, depois de uma grande trabalheira, consegui e aconselho a todos os que encontro na mesma situação em que o meu CEO me encontrou há uns anos.
  • Descubra a atividade que lhe permite “livrar-se” do stress que vai acumulando naturalmente no seu dia-a-dia.
    Comigo é mesmo o ginásio. Já experimentou usar a hora de almoço numa atividade física? Faz maravilhas. Verá que a sua tarde será mais produtiva, terá uma maior propensão à inovação e sentir-se-á mais positivo e animado.
  • Adote uma aplicação que o ajude a organizar as tarefas/responsabilidades que tem para cada dia e a priorizá-las.
    Sugiro-lhe o Asana, que uso diariamente. Mas existe uma infinidade deles, que poderá sincronizar e aceder em vários dispositivos e partilhar com a sua equipa, permitindo-lhe estar sempre a par do que já foi feito e do que está por fazer em cada projeto. Não caia é na tentação de se tornar refém da lista. Seja flexível, mas organizado e priorizado.
  • Procure o equilíbrio na sua vida.
    Pare para pensar quais são as prioridades da sua vida e aja em conformidade. Integre na gestão do seu tempo todas as suas prioridades e mantenha todas as bolas no ar. Não lhe digo que será fácil, mas valerá o esforço diário.
  • Livre-se do negativismo e torne-se uma pessoa positiva.
    Não somos todos naturalmente positivos e realisticamente otimistas. Mas todos poderemos tornar-nos assim. Para tal, basta que esteja atento aos seus pensamentos e atitudes, principalmente aos automáticos. Dê-se ao trabalho de os substituir por pensamentos e atitudes mais positivas e otimistas e, quando der por si, será uma pessoa muito mais calma e naturalmente positiva.
  • Não prescinda do seu sono.
    Reuniões, viagens de negócios, prazos de entrega, escalas e fusos horários não facilitam esta questão, mas tente compensar e manter-se minimamente com o sono em dia. Se tiver descansado, terá um pensamento mais organizado e lúcido, será muito mais fácil fazer associações e ver o que ninguém estava a ver, manter a calma e o espírito positivo.
  • Não descure a sua alimentação.
    Lá diz o povo que “somos o que comemos”. Procure não saltar refeições, optar por uma alimentação menos processada e manter-se hidratado. Como qualquer máquina, precisamos de alimentar o nosso corpo e mantê-lo “oleado”.

Dê-me o benefício da dúvida e experimente estas sugestões durante 22 dias, o tempo que o seu corpo leva a transformar novas atitudes e procedimentos em hábitos.

Depois conte-me tudo!


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Fátima Rodrigues  é gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting, tendo sido coordenadora editorial da área de business do grupo Almedina e lecionado na Congrégation Saint-Joseph de Cluny. Esteve ligada vários anos ao Conselho da Europa, onde exerceu funções de formadora do GERFEC em relações interculturais e interreligiosas em contexto corporativo e social. É fundadora e administradora geral do projeto online de fomento à leitura Segredo dos Livros. Mais informações aqui.

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