Eu fui, assumo. E por diversas vezes, até que um dia o meu CEO me disse que andava muito ansiosa e precisava de gerir o stress. Ainda hoje oiço as palavras que me fizeram parar e pensar se realmente estava a ficar refém desta vida de mil afazeres e responsabilidades, onde é preciso estar sempre um passo à frente e a criar o futuro. Mas o que fez a grande diferença, foi a abertura com que depois ouvi o conselho que me deu: “E se fosses para o ginásio? Olha que te ia fazer bem”.
Eu, que sempre fugi de tal sítio perverso, onde achava que deviam ser todos doidos por andarem a pagar para quase os matarem, avessa a qualquer coisa parecida com desporto, acreditei nele e, para além de me decidir a fazer alguma coisa por essa coisa da gestão do stress, fui experimentar o dito ginásio.
Para além da inscrição no ginásio, comprei um livro. Sim, porque embora alinhasse na coisa do ginásio, ainda tinha de aprender a gerir o stress e desconfiava que ia ser uma grande trabalheira.
O livro prometia. Tamanho pequeno, de uma coleção chamada “Criando Sucesso” e com o sugestivo título “Como Lidar com o Stress”. Era mesmo o que precisava. Lá veio comigo, mas confesso que ler a introdução foi assustador… mas esclarecedor. Estava realmente doente, doente de stress e a precisar de aprender a geri-lo.
Se, no primeiro parágrafo deste artigo, respondeu negativamente à questão que deixei ou, pelo menos, ficou na dúvida, deixo-lhe o rol das perguntas que abrem a introdução do dito livro que veio comigo da livraria.
Sente-se stressado? - Anda a adiar os projetos importantes que tem para completar?
- Irrita-se, dá respostas tortas e fica zangado facilmente?
- Tem dificuldades em estar sob pressão?
- Faz tempestades em copos de água?
- Nunca tem tempo suficiente para trabalhar ou relaxar?
- Está farto da vida?
- Martiriza-se por erros triviais?
- Anda a ter problemas de garganta, tosses e constipações com mais frequência?
- Age normalmente de forma passiva ou agressiva?
- Não se consegue concentrar ou manter-se concentrado em qualquer tarefa importante, seja qual for a sua dimensão?
- Anda esquecido?
- A sua autoestima e valor andam em baixo?
- Sente-se ansioso com frequência?
- Sonha acordado em vez de viver no presente?
Vê-se retratado neste diagnóstico? Eu vi.
Mas parecia-me que a patologia era difícil e, depois de uma leitura diagonal do livro, só me ocorria uma dúvida: seria preciso mesmo tanto trabalho para gerir o malvado stress?
Hoje partilho consigo algumas das conclusões a que cheguei e daquilo que, depois de uma grande trabalheira, consegui e aconselho a todos os que encontro na mesma situação em que o meu CEO me encontrou há uns anos.
- Descubra a atividade que lhe permite “livrar-se” do stress que vai acumulando naturalmente no seu dia-a-dia.
Comigo é mesmo o ginásio. Já experimentou usar a hora de almoço numa atividade física? Faz maravilhas. Verá que a sua tarde será mais produtiva, terá uma maior propensão à inovação e sentir-se-á mais positivo e animado. - Adote uma aplicação que o ajude a organizar as tarefas/responsabilidades que tem para cada dia e a priorizá-las.
Sugiro-lhe o Asana, que uso diariamente. Mas existe uma infinidade deles, que poderá sincronizar e aceder em vários dispositivos e partilhar com a sua equipa, permitindo-lhe estar sempre a par do que já foi feito e do que está por fazer em cada projeto. Não caia é na tentação de se tornar refém da lista. Seja flexível, mas organizado e priorizado. - Procure o equilíbrio na sua vida.
Pare para pensar quais são as prioridades da sua vida e aja em conformidade. Integre na gestão do seu tempo todas as suas prioridades e mantenha todas as bolas no ar. Não lhe digo que será fácil, mas valerá o esforço diário. - Livre-se do negativismo e torne-se uma pessoa positiva.
Não somos todos naturalmente positivos e realisticamente otimistas. Mas todos poderemos tornar-nos assim. Para tal, basta que esteja atento aos seus pensamentos e atitudes, principalmente aos automáticos. Dê-se ao trabalho de os substituir por pensamentos e atitudes mais positivas e otimistas e, quando der por si, será uma pessoa muito mais calma e naturalmente positiva. - Não prescinda do seu sono.
Reuniões, viagens de negócios, prazos de entrega, escalas e fusos horários não facilitam esta questão, mas tente compensar e manter-se minimamente com o sono em dia. Se tiver descansado, terá um pensamento mais organizado e lúcido, será muito mais fácil fazer associações e ver o que ninguém estava a ver, manter a calma e o espírito positivo. - Não descure a sua alimentação.
Lá diz o povo que “somos o que comemos”. Procure não saltar refeições, optar por uma alimentação menos processada e manter-se hidratado. Como qualquer máquina, precisamos de alimentar o nosso corpo e mantê-lo “oleado”.
Dê-me o benefício da dúvida e experimente estas sugestões durante 22 dias, o tempo que o seu corpo leva a transformar novas atitudes e procedimentos em hábitos.
Depois conte-me tudo!