Pois é. Todos os que ousam ter ideias, pensar sobre o que têm e sobre o que poderiam ter, especialmente se for “
out of the box”, já passaram por esta cena triste. Ou talvez não, se pensarmos que a provação torna as conquistas mais saborosas.
Pense na última vez em que tal ocorreu. O que aconteceu? Levou com as pedras todas e o seu autoconceito caiu a pique? Acontece aos melhores. Mas o que fez a seguir? Partindo do pressuposto de que acredita na ideia que teve e que consegue fazê-la acontecer, mesmo que aparentemente improvável para quem o ouviu, talvez o seu superior/sócio/conjugue, sentiu-se no fundo do poço e aí permaneceu, esqueceu a ideia ou, pelo contrário, persistiu na mesma?
Se há ideias que mais vale abandonar, e mesmo nem as partilhar, outras há pelas quais vale a pena enfrentar os “velhos do restelo”. E mesmo que estes persistam na sua ladainha, quando os resultados já são visíveis, não se deixe perturbar e siga o seu caminho.
Tive a oportunidade de participar no passado fim de semana na 4ª edição do
Finisterra – Arrábida Film Art & Tourism Festival. Pois é, Sesimbra, sim Sesimbra, Portugal, acolhe um festival de cinema de âmbito internacional, onde, durante cinco dias, são transmitidas curtas e longas metragens, algumas delas em estreia mundial, de realizadores de todo o mundo que concorrem aos prémios que este atribui. Este ano, se não me falha a memória, eram 48 países e cerca de 200 filmes a concurso.
Acha pouco? E se lhe disser que os realizadores premiados vêm durante cinco dias para Sesimbra e que, durante o dia, a organização do festival tem todo um programa cultural pela região, em que, dos locais de interesse histórico e cultural à gastronomia, lhes mostra o que de melhor tem? Acredite que é engraçado de ver. Um grupo enorme de todas as raças, munidos de mil e uma câmaras, todos a fotografar e filmar, a ouvir atentamente e num ambiente muito saudável. O resultado é um mar de fotografias e
vídeos nos dias e semanas seguintes pelas redes sociais e sites dos realizadores, que levam o país e a região a todo o mundo. Ainda hoje um dos vencedores do Japão, especialista em
hyperlapse, partilhou na sua página do Facebook um pequeno
hyperlapse que fez em Lisboa.
Lembra-se do vídeo de
hyperlapse "Lisbon & Sesimbra", de
Kirill Neiezhmakov, que se tornou viral? Pois é, foi feito com base na sua vinda a este festival e quase por brincadeira. A verdade é que mudou a vida deste realizador, de tal forma que, para além de ter percorrido o mundo, faz com que hoje seja contactado pelos mais diversos países e cidades, para fazer vídeos semelhantes, para promover as suas regiões. No seu canal do Youtube, conseguimos ver Paris, Dubai, Ajman (Emirados Árabes Unidos), entre outras, ao lado do que fez por cá. Espera-se agora uma nova vinda do Kirill a Portugal, para um novo vídeo que lhe foi pedido por outra região do nosso País.
Porquê um evento centrado nos realizadores e não nos atores? Porque são os realizadores que se apaixonam pelos locais e ali voltam mais tarde para gravar os seus filmes. Em caso de sucesso, são estes lugares que recebem os turistas que pretendem conhecer o local das filmagens.
Sabia que partes do filme “A Casa dos Espíritos” e do filme “007 Ao Serviço de Sua Majestade” foram gravados na zona da Arrábida? Ora volte a ver os filmes com atenção e veja se não reconhece alguns cenários.
Em conversa com o presidente da organização do festival, Carlos Sargedas, sobre como consegue fazer acontecer este evento com tão poucos apoios e fazer acontecer uma coisa que muitos pensam improvável, para não dizer, impossível, e atrair e criar impacto mundial, ocorreu-me que, realmente, com paixão e persistência tudo se consegue.
Voltemos a pensar na última vez em que partilhou uma ideia com alguém e este se encarregou de acabar logo com tudo. Pense novamente no assunto. Continua a achar que era uma grande ideia? Continua a sentir-se apaixonado quando pensa nela e a achar que seria bom pô-la em prática? E acredita mesmo que era capaz de a fazer acontecer? Então não desista. Volte a insistir. “A diferença entre o impossível e o possível reside na determinação do Homem”, disse Tommy Lasorda. “Um sonho não se torna realidade por magia; é preciso suor, determinação e trabalho árduo” confessou o americano
Colin Powell.
Como é? Vai ficar-se pelo mundo dos sonhos ou é desta que passa à realidade? Não se esqueça de que o impossível só o é até que alguém consiga torná-lo possível. Porque não você?