Não subestime o poder de fazer os outros sentirem-se fantásticos - Fátima Rodrigues

  
Cada vez tenho mais a sensação de que muitos gestores de pessoas só se sentem seguros quando veem as suas equipas a tremer de medo, assoberbadas de trabalho, numa competição feroz entre pares, aniquilando qualquer hipótese de trabalho em equipa, de desenvolvimento e de paixão pelo trabalho.

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Digo gestores de pessoas, para que seja mais claro que falo de todos, mesmo dos que gerem pessoas cujo fim não seja a prestação de serviços, mas a produção de bens físicos. E talvez devesse ir mais longe e substituir a palavra gestor, uma vez que penso que abrange todos aqueles que têm a seu cargo outras pessoas, mesmo que sejam duas ou três, ou até  mesmo uma só!

Acredito que se impõe uma reflexão muito simples, mas que talvez tenhamos perdido de vista.

O que pretendemos das pessoas que empregamos? Quem lideramos? Porque é que as temos?

Parece-me que todo o empregador contrata porque tem a plena consciência de que, para atingir os seus objetivos, necessita de outros que o ajudem a lá chegar. Daí lhes chamarmos colaboradores, porque se pretende que colaborem connosco, para alcançarmos o objetivo máximo do negócio, gerar valor.

Para que tal seja possível na sociedade global altamente competitiva em que vivemos, necessitamos de contar com pessoas em quem confiemos, comprometidas connosco e com a empresa, que lutem ao nosso lado e que cresçam no tempo. Quanto mais as desenvolvermos e as estimarmos, mais felizes se sentirão com o seu trabalho e mais ousarão na inovação, no trabalho em equipa e, claro, mais dedicadas e leais serão.

Desta forma, concluo que, quanto mais felizes (subentenda-se apaixonados e realizados) forem os meus empregados no seu trabalho, mais resultados alcançarei, logo, mais sucesso terei, enquanto líder e empresário.

Então, porque continuam a existir tantos gestores de braço dado com o terror?

Porque não se cultiva o reconhecimento e o desenvolvimento dos nossos talentos?

Porque persistimos em não aceitar a imperfeição como normal e desejável? Se ousamos inovar e ir para além da linha de conforto pessoal e cometemos erros inevitáveis, como humanos que somos, porque optamos por tentar escondê-los, em vez de os partilharmos e aprendermos com eles?

Todos os que têm outros sob a sua responsabilidade, têm o poder de mudar vidas. Depende da forma como os liderarem.

Tina Roth Eisenberg, fundadora e líder da Swissmiss, confessou um dia: “Quero ser lembrada como alguém que não teve medo de começar coisas.”

Desafio-o a começar já hoje a descobrir o que motiva os seus colaboradores. É a partilha? Os resultados? O processo? O reconhecimento? A assunção de responsabilidades? O seu crescimento pessoal? Ou só o retorno financeiro?

Ouse apostar no reconhecimento e motivação dos seus. Deixe claro que os conhece e o que espera de cada um. Enterre o terror e abra a porta ao otimismo e à felicidade produtiva. Dê-se uma oportunidade de começar um novo trilho no caminho para o sucesso.

Como tudo na vida, nem todos se revelarão como esperava, mas acredite que muitos serão felizes surpresas que o ajudarão a subir mais degraus na escada para o sucesso… com os outros. Vai ver que os que levar consigo, nunca o abandonarão.

Como dizia Mahatma Gandhi, “De uma forma delicada, você pode mudar o mundo”.


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Fátima Rodrigues é gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting, tendo sido coordenadora editorial da área de business do grupo Almedina e lecionado na Congrégation Saint-Joseph de Cluny. Esteve ligada vários anos ao Conselho da Europa, onde exerceu funções de formadora do GERFEC em relações interculturais e interreligiosas em contexto corporativo e social. É fundadora e administradora geral do projeto online de fomento à leitura Segredo dos Livros. Mais informações aqui.

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