El-Erian tinha estado a trabalhar em todos eles. Viagens, reuniões importantes, telefonemas urgentes tinham-no impedido de viver e de compartilhar com a sua filha o primeiro dia de escola, o primeiro jogo de futebol, uma reunião de pais e professores para o desfile de Halloween, entre outros eventos importantes para ela.
Sobre a abdicação do cargo, El-Erian confessou que não tinha tempo suficiente para a filha e que optou por um posto de trabalho que lhe permitisse trabalhar menos e ter mais flexibilidade para estar com a filha naqueles "pequenos momentos", sendo agora codiretor de informática da empresa.
"Sou o primeiro a reconhecer que sou inacreditavelmente sortudo por poder estruturar a minha vida desta forma. Sou muito grato que me esteja a ser concedida a oportunidade de viver momentos decisivos na vida de minha filha", afirmou.
O que mudou entre El-Erian e a filha? Agora têm tempo para os grandes momentos, mas também para os pequenos mas significativos, como acordá-la de manhã, tomar o pequeno-almoço com ela e levá-la à escola e, acima de tudo, tempo para falarem e para se partilharem um com o outro.
Claro que El-Erian tinha duas grandes coisas a seu favor, para que esta mudança tenha sido possível: estrutura financeira que permitia a redução salarial e outro cargo para ocupar. A alternativa não era para ele o desemprego e/ou a incapacidade de prover as necessidades da família.
Então porque foi esta escolha tão falada mundialmente e alvo de tanta admiração?
Porque El-Erian teve a coragem de o fazer. De fazer aquilo que muitos outros desejam fazer. De ouvir o seu coração e de ignorar o medo. De recuar sem temer o julgamento dos outros e a perda de poder. De parar para pensar no que realmente era o mais importante na sua vida, de ser honesto consigo mesmo e de viver de acordo com as suas prioridades.
Em Agosto passado, Max Schireson seguiu o exemplo de El-Erian e decidiu abandonar o cargo de presidente da Mongo DB, para conseguir estar mais próximo da família.
Trabalhamos para criar e desenvolver a sociedade, mas haverá alguém que não trabalhe porque precisa de ganhar dinheiro? E porque é que precisa dele? Não é para prover sustento a si e à sua família?
Então, se trabalhamos para que nada falte à nossa família, será justo abdicarmos deles e privarmo-los de nós para que nada lhes falte? Mas o que os fará a eles e a nós mais felizes? Uma viagem, ou um serão em família enroscados uns nos outros? Um carro novo, ou tomarmos o pequeno-almoço juntos? Jantarmos sempre fora, ou deitamos todos dias os nossos filhos, dar e receber aquele beijo e abraço meloso e ouvir um “gosto de ti”? A si, o que o faz mais feliz?
E será mesmo necessário abandonar os cargos e as aspirações profissionais? Ou serão as organizações que precisam de se reajustarem e de terem em atenção o necessário equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal?
Teremos hoje empresas de pessoas felizes e equilibradas ou a sentirem o princípio do fim da vida com sentido?
Será possível ser um pai/mãe/cônjuge presente e um ser humano completo e realizado, quando se sai para o trabalho quase de madrugada e se entra pela noite dentro? E os
fins de semana? A adiantar trabalho, ou completamente dedicados à família?

Convido-o a parar e pensar:
- O que é o mais importante para mim?
- O que espero da minha família e o que esperam eles de mim?
- E os meus colaboradores?
- A minha organização permite o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal?
- O que posso fazer para potenciar este equilíbrio?
Não se esqueça de que nada é garantido na vida. Por vezes, perdemos o mais importante…