Fiz este mesmo exercício e o resultado foi o equilíbrio entre o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o auto-conhecimento e desenvolvimento.
É como descreve o economista brasileiro
Alexandre Rangel, “um jogo de malabarismo, em que se lançam ao ar cinco bolas”. O problema é quando deixamos cair uma… ou várias. Umas são recuperáveis, enquanto outras nunca mais voltarão à sua forma inicial.
Vivemos hoje a uma velocidade mais que furiosa, onde tudo é urgente, onde é esperado que o tempo habitual para que as coisas se façam e aconteçam, seja acelerado e, se possível, eliminado. A mudança ocorre em tempo real e a instabilidade na sociedade e no mercado é uma constatação. O caminho para o sucesso parece ser só um: estar à frente do mercado, inovar e antecipar as tendências e as suas necessidades, ou seja, criar o futuro.
Mas será que o único modo para trilhar esse caminho no trabalho é sacrificando as restantes áreas fundamentais ao equilíbrio da vida? Será que precisamos mesmo de estar cada vez menos com a família, ou mesmo não a ter, para uma suposta necessidade de flexibilidade total, de passar os dias sentado, entre refeições rápidas e pouco saudáveis, em que o único exercício físico do mês é pagar a mensalidade do ginásio?
E os amigos? Ainda o convidam ou já desistiram, porque nunca aceita ou chega sempre tarde e quase não está presente, ou pior, está fisicamente, mas sem largar o telemóvel com supostos assuntos profissionais inadiáveis? E já nem lhe pergunto quando foi a última vez que desafiou os seus amigos para um programa!
Quando tirou tempo para um programa de auto-conhecimento e desenvolvimento? Quando foi a última vez que fez uma formação, um curso, um programa de desenvolvimento?

Pois é. Na maior parte dos casos damos connosco a ter mesmo muita vontade de fazer tudo isto e de manter as cinco bolas no ar e continuarmos a caminhar em frente, mas quantas vezes realmente o conseguimos? Já sentiu as consequências? E tomou medidas ou rapidamente voltou ao mesmo? E está à espera do quê, para meter ordem na sua vida e alcançar o equilíbrio?
Acredito que é possível manter as cinco bolas no ar, mas que temos de fazer uma melhor gestão do tempo e daquelas que são as nossas reais prioridades. O desafio é o mesmo do malabarista: nunca perder de vista nenhuma das bolas e manter cada uma delas em movimento e no sítio certo em cada momento.
Como falar é muito mais fácil do que fazer, deixo alguns dos conselhos que Alexandre Rangel sugere, capazes de nos ajudar na senda pelo equilíbrio da vida:
- “Não diminua o seu próprio valor, em comparação com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial. Não fixe objetivos com base no que os outros acham importante. Só você está em condições de escolher o que é melhor para si.
- Dê valor e respeite as coisas mais queridas do seu coração. Apegue-se a elas como à própria vida. Sem elas, esta carece de sentido. Não deixe que a vida escorra por entre os dedos, vivendo no passado ou no futuro. Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias da sua vida.
- Não desista, quando ainda é capaz de um esforço mais. Nada termina, até o momento em que se deixa de tentar. Não tema admitir que não é uma pessoa perfeita.
- Não tema enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
- Não exclua o amor da sua vida, dizendo que não é possível encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dando amor. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiadamente a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.
- Não corra tanto pela vida, a ponto de esquecer onde esteve e para onde vai.
- Não tenha medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
- Não use imprudentemente o tempo ou as palavras, pois são coisas que jamais poderemos recuperar.
- A vida não é uma corrida, mas uma viagem que deve ser desfrutada passo a passo.
- Lembre-se: ontem é história, amanhã é mistério e hoje é uma dádiva. Por isso se chama «presente».
Arthur Williams, ex-Marine britânico cujo acidente o atirou para uma cadeira de rodas e se tornou campeão de cycling paralímpico, quando confrontado com a questão de ter uma vida militar de sucesso terminada e de estar a querer aventurar-se no desporto paralímpico, respondeu que “Não lhe estou a dizer que vai ser fácil – Estou a dizer-lhe que vai valer a pena.”
Na busca pelo equilíbrio, digo-lhe também eu, “Não lhe estou a dizer que vai ser fácil – Estou a dizer-lhe que vai valer a pena”!