Alguns dos argumentos que logo se levantam são o do acordo ortográfico e o de Portugal ser membro da União Europeia, o que, caso se avançasse para uma livre circulação entre países da CPLP, abriria automaticamente, caso não houve alterações administrativas, as fronteiras igualmente aos restantes países europeus.
O potencial por explorar enquanto bloco é imenso e encontra-se praticamente inexplorado. Lembremo-nos do pouco que havia em comum e do porquê da união que levou à atual União Europeia pós II Guerra Mundial. Num cenário de pós-guerra, com línguas e culturas diferentes, falou mais alto o que havia a ganhar enquanto bloco económico, na altura para o carvão e para o aço. Se se unissem e comprassem em maior quantidade, conseguiriam condições melhores. Uma coisa levou à outra e hoje o sonho de Robert Schuman e de Jean Monnet é uma realidade.
Se países tão diferentes se uniram e têm vindo a ultrapassar as suas diferenças e a agir enquanto bloco, o que impede os países da CPLP de terem uma atuação mais conjunta?
Para os mais céticos deixo o valor inultrapassável e inquestionável dos números:
- 250 milhões de pessoas são falantes do português à escala mundial
- 6ª língua do mundo mais usada nos negócios
- 5ª língua mais falada no mundo
- 5ª língua mais falada na internet
- 3ª língua mais falada entre as línguas europeias
- 4,6% da economia mundial fala português
- Língua mais falada do hemisfério sul, o hemisfério do crescimento económico, demográfico e político nos próximos anos (excluindo a China e a Índia)
- 83 milhões de cibernautas usam o português
- 194,6 milhões de habitantes no Brasil
- 23,3 milhões de habituantes em Moçambique
- 19,8 milhões de habitantes em Angola
- 10,6 milhões de habitantes em Portugal
- 1,5 milhões de habitantes na Guiné-Bissau
- 1,1 milhões de habitantes em Timor-Leste
- 531 mil habitantes em Cabo Verde
- 165 mil habitantes em São Tomé e Príncipe
O poeta Fernando Pessoa escreveu um dia que “A minha Pátria é a minha língua”. Seguindo o seu raciocínio, a nossa pátria ronda os 250 milhões de pessoas um pouco por todo o mundo.
O português é, atualmente, idioma oficial de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. É também utilizado em Macau, território que esteve sob a administração portuguesa até 1999, e em Goa. O português está ainda na base de cerca de vinte línguas crioulas e afirma-se como um importante idioma minoritário em países como Andorra, Luxemburgo, Namíbia, Suíça e África do Sul, por obra das numerosas comunidades portuguesas aí radicadas.
É esta língua portuguesa que nos une a todos nós, independentemente do país de nascença de cada um, reconhecendo-nos, mais que não seja, um património cultural comum. Mas acredito que esse é apenas uma das coisas que temos em comum entre tantos mais.
Investigadores académicos da área da gestão estudam hoje um eventual modelo de liderança lusófono, avançando caraterísticas humanas comuns a ter em conta na liderança para que a liderança seja efetiva e sustentável.
Será o que nos une mais do que o que nos separa? O que persiste que não seja ultrapassável para uma maior e melhor atuação conjunta entre todos estes países irmãos?