Paremos um pouco e pensemos. Qual o impacto que o caráter de uma pessoa pode ter na sua vida e na daqueles com quem interage? Determinante não é? O caráter de uma pessoa é capaz de fazer com que o considerem e sigam ou com que fujam dele a sete pés.
Passando agora para as organizações, e partindo do princípio de que Schein está correto, se a cultura tiver a mesma importância na organização que o caráter exerce sobre uma dada pessoa, estaremos nós suficientemente preocupados com ela?
James L. Heskett, presidente da Logistics Systems e professor de lógica empresarial nos EUA, refere que
(1) a cultura “pode ser responsável por mais 20% a 30% do diferencial, em termos do desempenho da organização, quando comparado com outros concorrentes com uma cultura pouco digna”. Parece que também Heskett concorda com o senhor Schein e o comprovou com dados reais.
Se lhe perguntasse de repente, qual a cultura da sua empresa, conseguiria responder-me imediatamente? E se perguntasse a todos os seus colaboradores? Mas seria a resposta suficientemente certa em ambos os casos?
No meu tempo de escola, decorávamos a tabuada a cantar. Sim, decorávamos, mas não aprendíamos, porque considero que aprendê-la seria se compreendêssemos o sentido da multiplicação e fôssemos desenvolvidos no raciocínio lógico. Uns foram, outros não. Mas o que interessa aqui é o facto de muitos dos que aprenderam a dita tabuada dessa forma, ainda hoje só saberem que 9x8 são 72 se repetirem mentalmente a lengalenga até lá chegarem.
O mesmo pode acontecer com os valores e cultura da sua empresa. Até podem todos saber quais são… porque os decoraram, nem que seja por passarem a vida a vê-los escritos.
Em ambos os casos, o problema é o mesmo. Decorar não é aplicar e, quer na tabuada quer na cultura da sua empresa, o que interessa mesmo é que seja aplicada, vivida. Só assim poderá fazer a diferença, quer na equipa quer nos resultados a que vão chegar no final do ano.
Voltando a Schein
(2), este diz-nos que "A cultura é a aprendizagem acumulada e compartilhada por um determinado grupo, abarcando os elementos comportamentais, emocionais e cognitivos do funcionamento psicológico dos seus membros."
Certo. Mas, efetivamente, o que é que determina a real cultura organizacional da sua empresa? O que é tão poderoso que é capaz de fazer a diferença nos resultados que vai ter no final do ano?
Heskett resume-o a quatro pontos. Se conseguir responder com sinceridade e tirar as devidas conclusões, verá se a sua real cultura organizacional está alinhada com o que quer que seja, e onde reside o verdadeiro diferenciador:

A cultura organizacional da sua empresa é:
- A forma como conduz os negócios, trata os seus colaboradores, clientes e comunidade em geral;
- Até onde vai a liberdade que concede na tomada de decisões, desenvolvimento de novas ideias e expressão pessoal de cada um;
- Como o poder e a informação fluem através da hierarquia;
- O quão envolvidos e motivados estão os seus colaboradores naqueles que são os objetivos do coletivo.
Não é por acaso que a implementação da mudança na cultura de uma organização é um processo demorado, mas desafiante, e que exige uma vigilância atenta e uma ação constante. Tendo em conta que, enquanto seres humanos, levamos cerca de 22 dias a adquirir novos hábitos, e que a cultura organizacional assenta grandemente em hábitos que deverão estar enraizados na sua empresa, tal não é de estranhar.
Já pensou bem na cultura real da sua organização? Está satisfeito ou nem por isso? Sente-se com a coragem e a persistência necessária para a tornar naquilo que quer e precisa que seja?
Se sim, avance! Se deseja a mudança, mas não se sente capaz de, sozinho, torná-la numa realidade, não desespere. É para isso que existe a consultoria de gestão. Peça-lhes ajuda e avance no caminho da diferenciação.
PS: E não faz mal nenhum “espalhar” os valores da sua cultura. Numa situação de dúvida, tê-los por perto ajuda sempre a avançar no caminho certo. Sabe o que diz a chávena de chá que tenho ao lado, enquanto escrevo estas linhas? Audácia; Colaboração; Excelência. E do lado oposto?
Leadership Business Consulting. Pois é, nesta casa as chávenas são à medida da nossa cultura!