“Não parar… é andar para a frente”, aponta a D. Rosa como o segredo das suas conquistas.
Então, se a D. Rosa sabe isto e consegue, apesar dos seus quase 90 anos, porque é que muitos de nós não? E se, apesar dos maiores desafios da vida, a D. Rosa nunca desistiu, porque é que passamos a vida a lamentarmo-nos, a vacilar, a perder o foco e a adiar decisões cruciais, capazes de fazer os sonhos tornarem-se em realidade?
Quantas vezes dá por si a lamentar-se da situação em que se encontra? Dos que o rodeiam e do estado geral das coisas? Acha que isso o leva a algum lado? Não seria melhor que, pelo contrário, em vez de se lamentar, enfrentasse a realidade e, como diz a D. Rosa, andasse para a frente?
Dou-lhe outro exemplo, este do mundo empresarial.
Sandra Correia, líder da conhecida marca portuguesa de produtos em cortiça Pelcor, produzia com outra marca rolhas para garrafas de champanhe. Vendo-se a braços com excesso de matéria-prima após a viragem do milénio, em vez de se dedicar ao lamento e a carpir penas, fez como a D. Rosa e andou para a frente. Mas, em vez de bater de frente com o mesmo e o conhecido, optou por abraçar a inovação e tentar o aparente irrealizável. Como dizem tantas vezes em Silicon Valley, não há nada como o impossível para não ter a pressão da concorrência!

A Sandra apostou em tentar criar tecido de cortiça e seguir por um novo caminho. Começou com um simples guarda-chuva e fez acontecer, para além de coleções completas de vários adereços com venda em lojas por todo o mundo, peças inicialmente quase inimagináveis, como o fato completo entregue há pouco tempo à Lady Gaga, ou o recentíssimo elétrico lisboeta de tamanho real feito em cortiça, que está atualmente em exposição na "Iberian Suite: Arts Remix Across Continents”, no Kennedy Center.
Podia aqui falar no grupo Delta de
Rui Nabeiro, na Chipidea de
José Epifânio da Franca, na iClio do
Alexandre Pinto e de muitos outros nomes de empreendedores falantes do português que venceram a adversidade e, em vez do lamento e da acomodação, enfrentaram a realidade e fizeram acontecer.
Mas o que tem a D. Rosa e todos estes empreendedores em comum? Todos eles “andaram para a frente”.
Posso garantir-lhe que todos eles tiveram momentos menos bons, para não dizer muito maus. Todos eles erraram, todos eles tiveram de tomar decisões muito difíceis sem terem toda a informação que desejavam e todos eles passaram por grandes sacrifícios para fazer acontecer. Mas nenhum deles deixou até hoje de acreditar e de perseguir os seus sonhos, de lutar por torná-los realidade, nenhum deles desistiu perante a adversidade, e acredito que tenha sido muita.
O futuro ninguém conhece, mas acredito que a persistência, o foco, a motivação, a noção da realidade e dos ajustes, avanços e recuos a fazer, e, por muitas portas a que tenha ainda de bater, vão levá-lo até onde sonha chegar.
E se, em vez de se lamentar, usar o tempo que dispõe e o esforço que emprega no ver realmente a realidade que tem pela frente, no decidir o que tem a fazer, como e com quem?
E se, em vez de se focar nas dificuldades, se empenhar nas soluções?
E se, depois de empregar crença, motivação e esforço, começar a ver os seus sonhos mais perto de se concretizarem e as imensas montanhas que lhe ofuscavam a luz, e provavelmente muitas noites de sono, a dar lugar a uma luminosa pradaria a perder de vista? Será então o tempo certo para celebrar com quem percorreu o duro caminho consigo e para valorizar quem segue consigo, mas sem nunca se deixar cair na tentação de voltar ao mundo fácil do lamento e da acomodação. Vai ver que, em vez de montanhas, encontrará apenas elevações que não mais lhe tirarão o sono nem lhe ofuscarão o brilho do sol.
“A melhor altura para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás. A segunda melhor altura é agora.”, diz um provérbio chinês. Porque nunca é tarde para perseguirmos os nossos sonhos e para efetuarmos as mudanças necessárias no caminho que estamos a perseguir.
O verdadeiro empreendedor é um criador, não um sonhador.” - Nolan Bushnell
Fonte:
Entrevistas ao Portal da Liderança /
RTP